Dizem para mim que choveu, eu vejo chão molhado, mas não vejo chover. É meio estranho.
,Ella A.
nem tão fictícias
Não adianta viver de orgasmo em orgasmo. É preciso aproveitar a transa. É preciso aproveitar os momentos de respirar. Do cansaço. Do amasso. Da cama já vazia com cheiro de sexo. Da memória e da expectativa. Da antecipação. Do adeus à camisinha jogada na privada. De ofegar. De gemer.
De entrar e de sair. De ter de ir ou ter de ficar.
, Sam Terri
Aquela pessoa saiu do meio do mato. Dei-lhe água e ela bebeu tão rápido que baba escorria nas laterais da sua boca. Não me disse nada, apenas voltou mato adentro e nunca mais a vi outra vez.
Muitas vezes a fuga não sai como o planejado.
, Ella A.
José morava no meio do nada. Não tinha vizinhos, não tinha amigos, não tinha parentes, não tinha ninguém. Aliás, pouco tinha. Tinha a casa. Uma casa velha e coisas velhas. Cama velha, geladeira velha, televisão velha. O que muito tinha eram reclamações. Da goteira, do frio, do travesseiro duro. Reclamava pro nada e o nada só escutava. As vezes um eco respondia, mas era só eco, não era nada.
Um dia entrou um besouro em sua casa. José o pisou e o chutou porta afora. E então voltou a ficar sozinho no meio do nada. Sem vizinhos, sem parentes, sem besouro, sem ninguém.
, Ella A.
Passei a acreditar na nossa intimidade só quando me foi permitido ver seu pinto murcho. Não murcho de desanimo, murcho de conforto, de não tentar provar nada a ninguém. Murcho de quem baixou a guarda, de quem não mais precisava desconfiar.
Ironicamente, o pinto murcho disse que você estava pronto.
Mas eu não estava.
Fi-lo duro e aproveitei uma última vez.
, Sam Terri